Requereu-me, Linda Bela, dois abraços
Inocentes, para suspender do chão
Seu corpo, sua alma e os estilhaços
De um amor que guardou no coração.
Percebi um clamor enigmático,
Vi lógica em seu quantificar:
Um primeiro abraço: forte e estático;
O segundo para minha boca beijar.
Meu canto conquistara Linda Bela;
Entendi, em esforço sobre-humano,
Seu amor, sua hesitação singela.
Propus à Bela dois beijos então:
Primeiro, para reparar os danos;
Segundo, pela dissimulação.
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terça-feira, 21 de setembro de 2010
sábado, 18 de setembro de 2010
Cartão-Postal
Não é o espaço físico
O secretário da minha angústia;
É a distância maior do mundo
Que me limita a não poder
De tudo no mundo falar-te,
Do pensar e do sorrir,
Dos passos da caminhada,
Da inquietação do dormir,
Dos tempo perdido ao chorar,
E daquele ganho ao sorrir.
É inútil eu estou longe
Ou tu não me ouvirás
Só atiro gritos mudos.
Não posso mais escrever
Quero ser a mensagem.
Se o pombo-correio ao menos
Levasse dezessete poemas,
Com a beleza de um beija-flor,
E a alegria de um amor selado.
Não estaria mais limitado
Pela distância do coração,
Por ser a maior do mundo.
Eu queria ser um bilhete
Ou mesmo cartão-postal
Para ser enviado a ti,
De promessas estampado
E viver de um amor selado.
Me escuta que agora posso
Mostrar a receita do bolo
Mostrar a receita da vida
E de tudo no mundo falar-te.
O secretário da minha angústia;
É a distância maior do mundo
Que me limita a não poder
De tudo no mundo falar-te,
Do pensar e do sorrir,
Dos passos da caminhada,
Da inquietação do dormir,
Dos tempo perdido ao chorar,
E daquele ganho ao sorrir.
É inútil eu estou longe
Ou tu não me ouvirás
Só atiro gritos mudos.
Não posso mais escrever
Quero ser a mensagem.
Se o pombo-correio ao menos
Levasse dezessete poemas,
Com a beleza de um beija-flor,
E a alegria de um amor selado.
Não estaria mais limitado
Pela distância do coração,
Por ser a maior do mundo.
Eu queria ser um bilhete
Ou mesmo cartão-postal
Para ser enviado a ti,
De promessas estampado
E viver de um amor selado.
Me escuta que agora posso
Mostrar a receita do bolo
Mostrar a receita da vida
E de tudo no mundo falar-te.
Nos Trilhos
No trem em algum lugar,
Em frente a uma janelinha,
Vejo arbustos e sonhos.
Falo, canto, nem percebo;
Só a janela me escuta.
Devo tentar uma canção
Os sonhos investigar
Ou guardar apertadinhos,
Matá-los, reprimi-los?
São maiores que o Mundo
E levo bem ao meu ladinho;
Um alívio, um conforto
E uma sensação de carinho.
É você ou é a estrada?
Ou estou mesmo sozinho?
Na voz tem magia doce,
Sonhando ela é imortal,
O sorriso é um vaso de flores
E possui mil endereços;
Muito grato, janelinha,
Agradeço a atenção.
Se a vir, dê lembranças;
Desço na próxima estação.
Em frente a uma janelinha,
Vejo arbustos e sonhos.
Falo, canto, nem percebo;
Só a janela me escuta.
Devo tentar uma canção
Os sonhos investigar
Ou guardar apertadinhos,
Matá-los, reprimi-los?
São maiores que o Mundo
E levo bem ao meu ladinho;
Um alívio, um conforto
E uma sensação de carinho.
É você ou é a estrada?
Ou estou mesmo sozinho?
Na voz tem magia doce,
Sonhando ela é imortal,
O sorriso é um vaso de flores
E possui mil endereços;
Muito grato, janelinha,
Agradeço a atenção.
Se a vir, dê lembranças;
Desço na próxima estação.
Amor de Enfado
"Segura a minha mão
Não carece de apertar,
A vida é só uma canção,
É o leite por derramar;
Vê quanta vida lá fora,
Me diga se for embora,
Não carece de chorar.
E esses magoados remorsos?
O amor não é infindável,
Também sou de carne e ossos
E minha alma é vulnerável.
Ficastes sem direção?
Sem forças o coração?
Que choro desagradável!
Talvez o raio nos parta
E a paixão nos emende;
É esse calor que me mata,
É esse frio que me ofende.
Eu não seria um bom esposo,
Quero um amor misterioso;
Por que não me compreendes?
Segura na outra mão,
Se tu chorar eu me calo.
Por que olhas para o chão?
Não posso ser seu vassalo.
Um mistério voa ao vento,
Mil poemas ao relento,
Um grande amor pelo ralo.
Vai ver o sol já saiu
E tu em sono profundo,
Se teu coração for anil
Posso te mostrar o mundo.
Sou o melhor namorado,
Sou culto, sou educado;
Sou o maior vagabundo.
Queria te apertar,
Queria me esconder,
Queria te namorar,
Não posso sem ti viver.
És o Deus, és o demônio,
Meu pesadelo, meu sonho,
Te gosto sem merecer."
Não carece de apertar,
A vida é só uma canção,
É o leite por derramar;
Vê quanta vida lá fora,
Me diga se for embora,
Não carece de chorar.
E esses magoados remorsos?
O amor não é infindável,
Também sou de carne e ossos
E minha alma é vulnerável.
Ficastes sem direção?
Sem forças o coração?
Que choro desagradável!
Talvez o raio nos parta
E a paixão nos emende;
É esse calor que me mata,
É esse frio que me ofende.
Eu não seria um bom esposo,
Quero um amor misterioso;
Por que não me compreendes?
Segura na outra mão,
Se tu chorar eu me calo.
Por que olhas para o chão?
Não posso ser seu vassalo.
Um mistério voa ao vento,
Mil poemas ao relento,
Um grande amor pelo ralo.
Vai ver o sol já saiu
E tu em sono profundo,
Se teu coração for anil
Posso te mostrar o mundo.
Sou o melhor namorado,
Sou culto, sou educado;
Sou o maior vagabundo.
Queria te apertar,
Queria me esconder,
Queria te namorar,
Não posso sem ti viver.
És o Deus, és o demônio,
Meu pesadelo, meu sonho,
Te gosto sem merecer."
Três estações
Teus pensamentos
Nos enganam
E se perdem
Na amplidão;
Que se dirá
Dos lamentos
Se não houve
O perdão?
A frondosa árvore
Perde as folhas
Devagar.
A sutileza
De teus olhos
Aprofunda
O meu pesar.
É outono
Em teu semblante
Mais frio é o monstro
Que é teu coração.
O afeto último
É como a folha
Caindo ao chão.
Na amplidão
Nos enganam
Os lamentos,
O meu pesar.
É inverno
Estou perto
O mundo é bem ali.
A sutileza
De teus olhos
A magia
Que encantou
Juntou-se à folha
E congelou.
Perde as folhas
O teu semblante;
É primavera
E o caminho
Não tem fim.
Que se dirá
Das ambições
E as empreitadas?
Estas sim são limitadas.
Teus pensamentos,
O imprevisível,
Lugar nenhum.
Tudo flores;
Já não te vejo
Já não evito
Que meus afetos
Sejam folhas
De outro outono.
Não sei quando
Tu chegastes
Não imagino
Quando se foi;
Se alguém vira
Não me dirá.
De novo outono
Estou perto
Já já te vejo
Frio é o monstro
Da terra oculta
Em cujo solo
Há dois mil anos
Não faz calor.
O monstro mais belo
Perde as folhas
Devagar.
Lembranças retornam
De par em par
De uma a uma
Tento voltar.
Teus pensamentos;
Nunca houve
O meu pesar?
A frondosa árvore,
As ambições:
Teu perdão?
É inverno
Em ti de novo.
Da amplidão
A derradeira
Folha caída
Misteriosa
Em sua descida,
Sumiu em um rápido
Piscar de olhos
De uma vez por todas
Da minha vida.
Nos enganam
E se perdem
Na amplidão;
Que se dirá
Dos lamentos
Se não houve
O perdão?
A frondosa árvore
Perde as folhas
Devagar.
A sutileza
De teus olhos
Aprofunda
O meu pesar.
É outono
Em teu semblante
Mais frio é o monstro
Que é teu coração.
O afeto último
É como a folha
Caindo ao chão.
Na amplidão
Nos enganam
Os lamentos,
O meu pesar.
É inverno
Estou perto
O mundo é bem ali.
A sutileza
De teus olhos
A magia
Que encantou
Juntou-se à folha
E congelou.
Perde as folhas
O teu semblante;
É primavera
E o caminho
Não tem fim.
Que se dirá
Das ambições
E as empreitadas?
Estas sim são limitadas.
Teus pensamentos,
O imprevisível,
Lugar nenhum.
Tudo flores;
Já não te vejo
Já não evito
Que meus afetos
Sejam folhas
De outro outono.
Não sei quando
Tu chegastes
Não imagino
Quando se foi;
Se alguém vira
Não me dirá.
De novo outono
Estou perto
Já já te vejo
Frio é o monstro
Da terra oculta
Em cujo solo
Há dois mil anos
Não faz calor.
O monstro mais belo
Perde as folhas
Devagar.
Lembranças retornam
De par em par
De uma a uma
Tento voltar.
Teus pensamentos;
Nunca houve
O meu pesar?
A frondosa árvore,
As ambições:
Teu perdão?
É inverno
Em ti de novo.
Da amplidão
A derradeira
Folha caída
Misteriosa
Em sua descida,
Sumiu em um rápido
Piscar de olhos
De uma vez por todas
Da minha vida.
Canto de Estiagem
Agudo manifesto de um canto,
Silêncio de um sertão imensurável,
Desinquieta seriema em desencanto
Discutindo em sua canção singela
Os limites e a distância ao Cariri,
Em caminho por teu coração;
Clamando por uma paz maior que tudo.
Seu argumento é a magia de outrora
E mais um sonho exclusivo e silencioso
Passeando pela conivência das árvores,
Ansiando por ecoar na saudade de teus olhos.
Faz dezessete mil planos translúcidos
Para tomar embora posse do sertão.
Felicidade impressa em cópia bela?
Não seja este verão tão redundante!
Ele usa argumentos ilusórios!
Canta, seriema, que a vida é sentir
Porque sentir assim é viver duas vezes.
Esse silêncio é bege sonho sertanejo
De um calor para esvair as aflições.
Trarão a paz que requeri de antemão
Talvez a ave, a secura desse chão;
E a repetição insistente desse som
Me convençam da saudade uma ilusão.
Afigura-me a paz de outro mundo,
A seriema, a vida, o desencanto;
Uma canção para ecoar na imensidão.
Silêncio de um sertão imensurável,
Desinquieta seriema em desencanto
Discutindo em sua canção singela
Os limites e a distância ao Cariri,
Em caminho por teu coração;
Clamando por uma paz maior que tudo.
Seu argumento é a magia de outrora
E mais um sonho exclusivo e silencioso
Passeando pela conivência das árvores,
Ansiando por ecoar na saudade de teus olhos.
Faz dezessete mil planos translúcidos
Para tomar embora posse do sertão.
Felicidade impressa em cópia bela?
Não seja este verão tão redundante!
Ele usa argumentos ilusórios!
Canta, seriema, que a vida é sentir
Porque sentir assim é viver duas vezes.
Esse silêncio é bege sonho sertanejo
De um calor para esvair as aflições.
Trarão a paz que requeri de antemão
Talvez a ave, a secura desse chão;
E a repetição insistente desse som
Me convençam da saudade uma ilusão.
Afigura-me a paz de outro mundo,
A seriema, a vida, o desencanto;
Uma canção para ecoar na imensidão.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Vertigem
"De repente um rosto,
Em enorme vão iluminado
Corredor luzente ao fundo
De cristais no ar suspensos,
De um brilho equivocado.
Silenciosa face agradável,
Distração de meu olhar atento
Por tão gentil alvoroço.
Tão nobre motivo justificável,
Fugiram-me: o luzir do corredor,
Os cumprimentos, as saudações;
Equivocou-se o passar do tempo,
Sumiu de repente o rosto.
Restou-me um olhar fixo, atarrachado,
Em boa hora maravilhado."
Em enorme vão iluminado
Corredor luzente ao fundo
De cristais no ar suspensos,
De um brilho equivocado.
Silenciosa face agradável,
Distração de meu olhar atento
Por tão gentil alvoroço.
Tão nobre motivo justificável,
Fugiram-me: o luzir do corredor,
Os cumprimentos, as saudações;
Equivocou-se o passar do tempo,
Sumiu de repente o rosto.
Restou-me um olhar fixo, atarrachado,
Em boa hora maravilhado."
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