Teus pensamentos
Nos enganam
E se perdem
Na amplidão;
Que se dirá
Dos lamentos
Se não houve
O perdão?
A frondosa árvore
Perde as folhas
Devagar.
A sutileza
De teus olhos
Aprofunda
O meu pesar.
É outono
Em teu semblante
Mais frio é o monstro
Que é teu coração.
O afeto último
É como a folha
Caindo ao chão.
Na amplidão
Nos enganam
Os lamentos,
O meu pesar.
É inverno
Estou perto
O mundo é bem ali.
A sutileza
De teus olhos
A magia
Que encantou
Juntou-se à folha
E congelou.
Perde as folhas
O teu semblante;
É primavera
E o caminho
Não tem fim.
Que se dirá
Das ambições
E as empreitadas?
Estas sim são limitadas.
Teus pensamentos,
O imprevisível,
Lugar nenhum.
Tudo flores;
Já não te vejo
Já não evito
Que meus afetos
Sejam folhas
De outro outono.
Não sei quando
Tu chegastes
Não imagino
Quando se foi;
Se alguém vira
Não me dirá.
De novo outono
Estou perto
Já já te vejo
Frio é o monstro
Da terra oculta
Em cujo solo
Há dois mil anos
Não faz calor.
O monstro mais belo
Perde as folhas
Devagar.
Lembranças retornam
De par em par
De uma a uma
Tento voltar.
Teus pensamentos;
Nunca houve
O meu pesar?
A frondosa árvore,
As ambições:
Teu perdão?
É inverno
Em ti de novo.
Da amplidão
A derradeira
Folha caída
Misteriosa
Em sua descida,
Sumiu em um rápido
Piscar de olhos
De uma vez por todas
Da minha vida.
Que linda Hilário! Deu saudade de vc.. s2
ResponderExcluir