sábado, 18 de setembro de 2010

Três estações

Teus pensamentos
Nos enganam
E se perdem
Na amplidão;
Que se dirá
Dos lamentos
Se não houve
O perdão?
A frondosa árvore
Perde as folhas
Devagar.
A sutileza
De teus olhos
Aprofunda
O meu pesar.
É outono
Em teu semblante
Mais frio é o monstro
Que é teu coração.
O afeto último
É como a folha
Caindo ao chão.
Na amplidão
Nos enganam
Os lamentos,
O meu pesar.
É inverno
Estou perto
O mundo é bem ali.
A sutileza
De teus olhos
A magia
Que encantou
Juntou-se à folha
E congelou.
Perde as folhas
O teu semblante;
É primavera
E o caminho
Não tem fim.
Que se dirá
Das ambições
E as empreitadas?
Estas sim são limitadas.
Teus pensamentos,
O imprevisível,
Lugar nenhum.
Tudo flores;
Já não te vejo
Já não evito
Que meus afetos
Sejam folhas
De outro outono.
Não sei quando
Tu chegastes
Não imagino
Quando se foi;
Se alguém vira
Não me dirá.
De novo outono
Estou perto
Já já te vejo
Frio é o monstro
Da terra oculta
Em cujo solo
Há dois mil anos
Não faz calor.
O monstro mais belo
Perde as folhas
Devagar.
Lembranças retornam
De par em par
De uma a uma
Tento voltar.
Teus pensamentos;
Nunca houve
O meu pesar?
A frondosa árvore,
As ambições:
Teu perdão?
É inverno
Em ti de novo.
Da amplidão
A derradeira
Folha caída
Misteriosa
Em sua descida,
Sumiu em um rápido
Piscar de olhos
De uma vez por todas
Da minha vida.

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